Teatro infantil : As três princesas negras  escrito em terça 31 janeiro 2012 00:14

AS TRÊS PRINCESAS NEGRAS

E OS

PRÍNCIPES CANTORES

Era uma vez três princesas que viviam do outro lado do oceano, lá pelas terras da África. Elas eram muito admiradas por todos, que aguardavam ansiosamente, o dia de passeio das princesas, para poder admirá-las.

Karú era a mais alegre de todas. Brincalhona, adorava dançar e sempre acompanhada de suas damas de companhia, brindava a todos com seu molejo gracioso e ritmado.

Música de Daniela Mércury

O canto da cidade

Samyra era a que possuía a mais bela voz. Quando ela cantava, todos paravam para ouvir e se maravilhar. A música de Samyra era como bálsamo para seu povo, que a ouviam em silêncio absoluto, como se na sua música tão singela, estivesse todo o ensinamento do mundo:

Música - tranças

Dandara era uma criança grande. Seu prazer era brincar com as crianças da comunidade. Em sua terra, surgiu uma brincadeira, muito famosa no Brasil: Escravos de Jó. Dandara adorava esta brincadeira.

Crianças em círculo brincando de Escravos de Jó

As princesas já iam completar 16 anos e entre seu povo, a tradição diz que elas teriam que se casar. O rei, pai das meninas, mandou mensagens a todos os reinos próximos, convocando os príncipes interessados a apresentarem seus dotes às princesas. Elas fizeram uma exigência: Os príncipes teriam que ser artistas.

Seis príncipes conseguiram ser recebidos pelas princesas. Os três primeiros príncipes vieram de Angola, Camarões e Nigéria. Belos e elegantes eles eram também ambientalista e divulgavam a reciclagem, como uma alternativa para salvar o meio ambiente. O som que produziam com suas latas, agitava a todos e por onde passavam a festa se fazia:

Música - Bate latas

Mais três príncipes vieram de Moçambique (negro), Egito (mulato ou moreno) e África do Sul (branco). Eles eram muito alegres, ótimos dançarinos e muito carinhosos. Chegaram, beijaram as mãos das princesas e transmitiam mensagens de paz a todos:

Música de toquinho

“Imaginem”

Sugestões:

Distribuição de flores de várias cores aos participantes, com mensagens.

Que os príncipes sejam: Um negro, um mulato e um branco

Mensagens:

“Imaginem todos vocês, o mundo inteiro cantando o amor...”

“Imaginem todos vocês, se o mundo inteiro vivesse em paz...”

Os príncipes dançavam, cantavam e conquistaram as princesas, que dançaram com eles e os aceitaram como esposos.

Música - Menino do Pelô

No casamento das princesas, a alegria contagiou a todos. A união dos grupos étnicos fez daquele reino um reino colorido. Os príncipes sábios respeitavam seu povo e o meio ambiente e quem os conheceu ou conhece, sempre tem uma história de paz e amor para dividir com quem os queira escutar. É esta mensagem de paz que queremos passar a todos vocês que nos escutam neste momento:

- Axé! Muito axé meu povo!

 

FIM

 

TRANÇAS

DESDE A NIGÉRIA MINHA AVÓ

ENSINOU-ME A TRANÇAR

OS CABELOS DA BONECA

E SEU SONO EMBALAR.

IFE (amor) BABÁ (pai)

IFE IYÁ(mãe)

ADUPÉ (obrigado) BABÁ

ADUPÉ (obrigado) IYÁ

UMA VOLTA, OUTRA VOLTA

TRANÇO HISTÓRIA, TRANÇO VIDA

UMA VOLTA, OUTRA VOLTA

E A TAREFA ESTÁ CUMPRIDA

 

Marlene D. Carmo

 

“Todo menino do Pelô, sabe tocar tambor (bis)

Sabe tocar, sabe tocar, sabe tocar tambor (bis)

Eu quero ver,

eu quero ver.

O menino subindo a ladeira

Sem violência, com toda malemolência fazendo bumba bumba (bis).”

 

Bate Lata

Composição: Gil

 

Era um menino tocador que dispensou o agogô
E o tambor pra tocar lata
Do ta ta ta ele gostou
Do tum tum tum ele adorou
E muito mais do Ra ta ta ta
Era um menino tocador que dispensou o agogô
E o tambor pra tocar lata
Do ta ta ta ele gostou
Do tum tum tum ele adorou
E muito mais do Ra ta ta ta

QUER APRENDER                                                                                                                           PEGUE A LATINHA                                                                                                        E BATE UMA NA OUTRA                                              BIS
TCHA TCHA, TCHA TCHA
SEGURE O REAGGE
NÃO SOSSEGUE
SE ENTREGUE A ESSA VIAGEM LOUCA

Venha de lata negão
No meio da multidão
Se não tem lata
Improvisa, bate na palma da mão
Venha de lata negão
No meio da multidão
Se não tem lata
Improvisa, bate na palma da mão

 

IMAGINEM

                     Toquinho

Imaginem todos vocês
Se o mundo inteiro vivesse em paz
A natureza, talvez, não fosse destruída jamais
Russo, cowboy e chinês
Num só país sem fronteiras
Armas de fogo, seria tão bom
Se fossem feitas de isopor
E aqueles mísseis de mil megatons
Fossem bombons de licor

Flores colorindo a terra
Toda verdejante, sm guerra
Nenhum seria tão rico
Nem outro tão pobrezinho
Todos num caminho só
Os rios e mares limpinhos
Com peixes, baleias, golfinhos
Faríamos as usinas e as bombas nucleares
Virarem pão-de-ló

Imaginem todos vocês
Um mundo bom, que um Beatle sonhou
Peçam a quem fala inglês
Versão da canção que John Lennon cantou
Russo, cowboy e chinês
Num só país sem fronteiras
Armas de fogo, seria tão bom
Se fossem feitas de isopor
E aqueles mísseis de mil megatons
Fossem bombons de licor

 

O Canto da cidade

Composição: Tote Gira / Daniela Mercury

A cor dessa cidade sou eu!
O canto dessa cidade

É meu!..(2x)

O gueto, a rua, a fé
Eu vou andando a pé
Pela cidade bonita
O toque do afoxé
E a força, de onde vem?
Ninguém explica
Ela é bonita...(2x)

Uô Ô!
Verdadeiro amor
Uô Ô!
Você vai onde eu vou...(2x)

Não diga que não me quer
Não diga que não quer mais
Eu sou o silêncio da noite
O sol da manhã...

Mil voltas o mundo tem
Mas tem um ponto final
Eu sou o primeiro que canta
Eu sou o carnaval...

A cor dessa cidade
Sou eu!
O canto dessa cidade
É meu!...(2x)

Não diga que não me quer
Não diga que não quer mais
Eu sou o silêncio da noite
O sol da manhã...

Mil voltas o mundo tem
Mas tem um ponto final
Eu sou o primeiro que canta
Eu sou o carnaval...

Uô Ô!
Verdadeiro amor
Uô Ô!
Você vai onde eu vou...(2x)

A cor dessa cidade
Sou eu!
O canto dessa cidade
É meu!...(2x)

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JOÃO CÂNDIDO fELISBERTO  escrito em domingo 15 janeiro 2012 13:55

JOÃO CÂNDIDO FELISBERTO

 

No Rio Grande do Sul, no município de Rio Pardo;

No ano de 1880, nasceu um homem muito esperto,

Filho de Inácia e João Cândido Velho, na fazenda Conchilha bonita.

Em Encruzilhada, 24 de Julho, este homem: João Cândido Felisberto.

 

Sempre acompanhava o pai, no ofício de fazendeiro.

Assim chegou a ser, negrinho do pastoreio.

Antes dos quatorze anos, chegar a completar,

Foi levado para a Marinha, pelo Capitão de Fragata; Alexandrino Alencar.

 

Fez parte da tripulação dos “Andradas” e “Tocantins”

Participou de missões, lá no Paraguai

Serviu na base de Ladário no Mato Grosso

Na Europa acompanhou, a construção do navio “Minas Gerais”.

 

Naquela época o marinheiro, era pela polícia recrutado.

E João Cândido não teve privilégios, por ter sido indicado.

Ficou preso em celas solitárias, levou muitas chibatadas.

Embora se mostrasse exemplar, de cabo a marinheiro chegou a ser rebaixado.

 

Mesmo após a Lei Áurea, ter decretado o fim da escravidão

As chibatadas nos marinheiros, principalmente nos negros, era a grande punição.

Mesmo após 1889, com o decreto republicano,

Continuaram as chibatadas, praticadas pelas forças armadas.

 

 

Em 1908, para a Europa João Cândido é enviado,

Para acompanhar a construção do “Minas Gerais”,

Navio de guerra brasileiro, aos ingleses encomendado.

De onde João Cândido volta inspirado.

 

Por parte dos marinheiros britânicos veio esta inspiração

Para lutarem por melhores condições de trabalho,

Prepararam-se para uma rebelião

Que viria ficar registrada na história desta nação.

 

João Cândido entre os marujos exercia forte liderança,

Embora adiada por duas vezes, a idéia da rebelião avança.

As reuniões aconteciam, perto da Praça Tiradentes

Na Rua Tobias Barreto ou na Rua dos inválidos, comumente.

 

As reuniões aconteciam ao lado da sede da polícia,

 na antiga capital federal.

Junto a João Cândido estava, o “Mão Negra”,

 Vindo do Ceará, filho de família tradicional.

 

Francisco Dias Martins era seu nome de nascimento.

Ele tinha curso secundário, foi presidente do Grêmio Literário,

Era um homem de grande conhecimento

De suma importância naquele momento.

 

Foi Dias Martins, quem escreveu ao Presidente a carta,

Contendo as reivindicações, dos revoltados da Chibata,

Bem escrita, sem erro ortográfico ou rasura.

Exemplo de inteligência, aliada à bravura.

João Cândido nesta revolta, não estava mesmo sozinho:

Do navio “Teodoro”, outra liderança: o Cabo Avelino.

Amparava-lhe o Cabo Gregório Nascimento, do “São Paulo”, um navio de guerra.

Lideranças fundamentais, às ações no mar e na terra.

 

Em 22 de novembro de 1910,

Ao raiar da madrugada,

Os tambores anunciavam que os marinheiros,

 Iriam receber 250 chibatadas.

 

Sob o olhar de toda tripulação do “Minas Gerais”,

Diante daquela violência anunciada,

Marcelino Rodrigues Mendes desmaiou,

Com a pele toda ensangüentada.

 

Foi o estopim da revolta, que tomou forma em poucas horas.

Sob o comando de João Cândido, o “Minas Gerais”.

Em seguida, o “São Paulo”, o “Teodoro” e o “Bahia”.

Avante marinheiros! Hoje é o dia!

 

Nas mãos de João Cândido, toda a esquadra Brasileira.

O primeiro marinheiro, a comandar uma esquadra.

Um marinheiro negro.

Logo aquela revolta, não seria mais segredo.

 

Marechal Hermes da Fonseca, o então Presidente,

É informado que a Marinha havia se rebelado.

Inicialmente, pensa que é um golpe de Estado.

Em seguida recebe uma carta, onde tudo é revelado.

A carta que continha as reivindicações;

Explicita que os marinheiros, em seu trabalho queriam melhores condições.

Queriam servir a Pátria, queriam honrar esta nação,

Teve início assim, uma tensa negociação.

 

Os oficiais da marinha, com João Cândido, não queriam negociar.

E João Cândido praticamente, com toda frota naval a comandar.

Havia um poder de fogo, para explodir toda a Baía de Guanabara

E toda antiga capital. O medo se instala.

 

Pediram ajuda a Rui Barbosa, para se negociar.

E ele garantiu uma lei, que os marujos iria anistiar

E com os maus tratos, para sempre acabar.

A condição era as armas, que os revoltosos teriam que baixar.

 

Um marinheiro negro é símbolo de liberdade.

É notícia no mundo inteiro, esta grande novidade.

Salve João Cândido, o “Almirante Negro”!

Vitória para os marinheiros. Acaba-se a era do medo?

 

Após a vitória gloriosa, teve início uma ação da marinha:

Excluir os marinheiros revoltosos de suas funções.

O primeiro ato, um decreto. E advinha:

Autoriza, na marinha, sumárias demissões

 

A anistia foi uma farsa.

 Rui Barbosa foi procurado.

Ele não atende os marinheiros.

O auxílio assim foi recusado.

Na Ilha das Cobras, em dezembro, um levante responde à traição.

Era a desculpa que o presidente queria, para estado de sítio decretar

E a ilha das cobras bombardear, prendendo nesta data

Os revoltosos do levante e também os da chibata.

 

No navio satélite, alguns foram transportados

E em alto mar, foram fuzilados.

Para a Ilha das Cobras, João Cândido e outros foram levados

E de forma desumana, ali ficaram aprisionados.

 

16 morreram, dos 18 ali confinados.

Tido como louco e com tuberculose,

João Cândido é internado

No Hospital dos Alienados.

 

Embora com menos de 40 quilos e bem debilitado,

João Cândido recupera-se, Física e psicologicamente

 A júri é levado para ser julgado

Junto a poucos amigos sobreviventes.

 

João chama para si, a responsabilidade.

Tentando livrar seus companheiros.

Após 48 horas de debate, entre defesa e acusação,

Sai a sentença: absolvição.

 

Após 17 anos a marinha dedicados

João Cândido sai do tribunal absolvido,

Com um dos pulmões por tuberculose tomado,

Sem dinheiro, sem emprego, se sentindo abandonado.

João Cândido naquela situação

Se encontrava nas mesma condições

Dos negros que acabavam de sair da escravidão:

Excluído de qualquer processo de reparação, vítima do racismo e da discriminação.

 

No velório de sua esposa

Um agradecimento não oficial

Feito por marinheiros do “Minas Gerais”

Que carregaram o corpo de sua esposa, durante o funeral.

 

João Cândido viveu quase todo o século XX.

Foi homenageado e muitas vezes hostilizado.

No período da ditadura houve grande repressão.

 E era perigoso falar da revolta e do João.

 

João Cândido morre de câncer em 69

Num período triste de nossa história, pleno de atos desumanos:

Perseguições, tortura e morte.

O golpe militar de 64 que durou quase 20 anos.

 

Mesmo com todo o autoritarismo que imperava,

João Cândido era reverenciado por alguns movimentos populares,

E foi homenageado João Bosco e Aldir Blanc,

Com a canção “O Mestre Sala dos Mares”.

 

Seguem-se várias homenagens, dentro e fora do país:

Teses, livros, estudos, nomes de ruas, peças teatrais,

Enredos de escolas de samba e muito mais.

Imortalizado o “Almirante negro” e também seus ideais.

Em julho de 2008 é publicado no Diário oficial:

Anistia a João Cândido e seus companheiros.

Tão tardia, tão justa esta lei aprovada

No mesmo dia em que em 1888 a abolição da escravatura foi decretada.

 

Após intensa luta do movimento negro brasileiro

É inaugurada uma estátua de João Cândido

Na Praça XV, Centro do Rio de Janeiro

De frente para a Baía de Guanabara, cenário da luta do marinheiro.

 

O evento contou com a presença do Presidente Lula

João Cândido é aclamado como Herói Nacional.

Em 7 de maio de 2010, mais uma emoção:

Um petroleiro recebe seu nome na retomada de investimentos do setor naval.

 

Salve o “Almirante negro”! Salve a ele e seu grupo de heróis.

Que não nos esqueçamos jamais

Daqueles que têm por monumento

As pedras pisadas no cais.

E nem faz tanto tempo...

 

                                         Marlene do Carmo

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Igualdade entre os sexos  escrito em domingo 15 janeiro 2012 13:51

IGUALDADE ENTRE OS SEXOS

E VALORIZAÇÃO DA MULHER

Hoje em dia parece que virou moda

Se falar em igualdade.

 Mas há muita luta pela frente

 Antes que esta seja nossa realidade.

 

 Vamos falar de oportunidades

 Vamos falar de cidadania;

Ou será que com discriminação,

Podemos nos denominar democracia.

 

Como ensinar as gerações futuras,

 os valores reais;

Se por causa da diferença de gênero,

 você se nega a nos ver como iguais?

 

 Vamos falar a verdade.

A mulher quer ocupar seu lugar,

quer ter direito à igualdade,

que a possam valorizar.

 

 

Será que você acredita que o respeito

Os fará perder a feminilidade;

Ou eu devo crer que suas ações,

são pra encobrir sua fragilidade?

Mulheres hoje são agredidas

Meu Deus! Quanta violência!

Temos que dar logo um basta.

Temos que recuperar nossa decência.

 

Queremos que se faça justiça.

Queremos proteção.

Fazemos tanto pela família.

Merecemos esta atenção.

 

Queremos igualdade entre os sexos.

Isto até parece complexo.

Na verdade, não é não.

É mais simples que se parece. E então?

 

Juntos somos mais fortes.

Juntos podemos mais.

Que tal cessarem as competições e as lutas,

E nos vermos como iguais?

 

Quem te trouxe ao mundo, quem cria

Seus filhos com dedicação.

Por certo merece sua atenção,

Seu respeito e valorização.

 

 

 

Vamos falar de mulher, vamos falar também da nação.

Vamos falar de ordem, de progresso, de cidadania.

Vamos falar de igualdade, liberdade, mulher com autonomia;

E aí, com todo respeito, vocês poderão por direito,

se intitularem: Democracia.

                                            Marlene do Carmo

 

 

           

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História e cultura africana e afrobrasileira  escrito em terça 02 novembro 2010 17:38

HISTÓRIA E CULTURA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA NEI LOPES Este livro, publicado em 2008 pela editora Barsa e escrito por Nei Lopes, vem a preencher uma lacuna no que se refere à formação do educador, em relação ao estudo da cultura africana e afro-brasileira. Neste livro, o educador encontrará informações acerca da África antiga, deixando evidente, a riqueza da civilização que foi estigmatizada pelo processo de escravização ao qual foi submetido. A África berço das civilizações é desvendada com uma linguagem simples embora rica em conteúdo. A expansão do povo africano pelo mundo, os antigos impérios, as grandes navegações e a chegada dos europeus ao continente africano; tudo isto a serviço da informação sobre o início desta história. A herança africana, à margem do que comumente é visto nos livros, ultrapassa a influência na música e nas artes de uma forma geral. Está compilado neste livro, a participação do povo negro nos conflitos internos (Brasil), nas atividades cotidianas, no comércio, na culinária, na religião, na agricultura, na política, em nossos ritmos e dança e toda a atenção é dada à influência na língua e na literatura. A questão religiosa, alvo de tanto preconceito, devido às ceitas e cultos de matrizes africanas é abordada de forma leve e totalmente esclarecedora. Vem demonstrando o significado dos orixás, o sincretismo religioso e nos leva de encontro à essência desta crença cercada de mistérios e por nós, de preconceitos. O movimento abolicionista e em seguimento, a abolição da escravatura, abre espaço para os debates que envolvem a inserção do negro em nossa sociedade. A miscigenação e a discriminação; a exclusão e a inegável escalada rumo à desmitificação da herança escravagista, vêm laureadas pela demonstração de políticas afirmativas e da militância dos movimentos negros. Este livro apresenta apêndices que ampliam o aprendizado, levando-nos de encontro à pesquisa e à integração a novas leituras. Um glossário vem esclarecendo termos e trazendo curiosidades acerca desta cultura que não é a deles, mas que a partir de nossa leitura, deixa claro ser a nossa. Apreciando: Este livro é recomendadíssimo. Marlene D. Carmo
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Homenagem a Carlos Drummond de Andrade  escrito em terça 02 novembro 2010 17:32

Entre pedras e um José E o frio era de doer! Eu havia me proposto a participar daquela festa e não fazia idéia de que passaria por isto. Na fila para o almoço, uma senhora gorda e falante insistia em contar-me quantos frangos e porcos mataram e quantos refrigerantes compraram. Quando ela começou a falar do bingo, do leilão, do festival de dança e tudo o mais que a paróquia realizou para arrecadar mais dinheiro; resolvi que era hora de pedir licença e dar uma volta. Foi um tropeço e tanto! No meio do caminho havia uma pedra. Quase fui ao chão. Resolvi então, sentar no banco de uma praça próxima e descansar apreciando a agitação de Itabira, naquele dia de romaria. Quanta gente! A festa do congado atraia muita gente. Muita dança, muita comida, muita gente... muito: palavra que definia aquele evento. Na praça, encontrei um senhor muito tranqüilo, de nome José. Ele portava um livro muito interessante, do qual eu li o título em voz alta: “A rosa do povo”. Que nome interessante! Iniciamos uma gostosa conversa e este senhor, logo, logo, passou a contar-me seus causos, a história da cidade e da gente daquele lugar, inclusive de seu conterrâneo mais ilustre: Carlos Drummond de Andrade; o autor do livro que ele portava. Senhor José era um homem à frente do seu tempo. Assim como Carlos Drummond de Andrade, ele lutava contra a ação devastadora das mineradoras e divulgava suas idéias num semanário local. Ele já esteve um tempo afastado de Itabira e eu até brinquei com ele, perguntando se era estudando farmácia. Senhor José ficou muito sério, como se houvesse se apropriado de todo o sentimento do mundo. Contou-me que dificuldades financeiras o impediram de estudar tanto quanto gostaria. Ele foi alfabetizado em casa e voraz leitor, aprimorou seu saber lendo livros do referido autor. Perguntei-lhe se também possui a mesma veia poética de Carlos Drummond de Andrade e ele disse-me parafraseando, que não seria ele “o poeta de um mundo caduco”. O senhor José disse-me que foi por muito tempo, guia turístico na cidade. Grande conhecedor da vida de Drummond, contou-me de sua infância nas ruas de Itabira, do idealismo poético em contraponto ao burocrata que foi ao servir o governo e de sua amizade com Pedro Nava. Surpreendi-me com o vasto conhecimento deste homem tão simples, que reverenciava o poeta e dava um testemunho, da sua importância no cenário nacional. A esta altura, eu já havia me esquecido do frio que sentia. - E agora Jose? Brinquei. A festa acabou o povo sumiu e eu devo partir... Ríamos descontraídos, quando frente a nós surge uma criança aflita dizendo: - Vô; a vó caiu na piscina! Senhor José saiu correndo junto à criança e eu me vi ali; sozinha e estupefacta com tantas coincidências. Levantei-me e fui ao encontro dos romeiros... Quase tropeço novamente naquela pedra que havia no meio do caminho. Marlene das Dores do Carmo
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